
Em tom de forte indignação, o vereador Givagno Patrese fez um duro desabafo durante sessão da Câmara Municipal de Macau, realizada nesta terça-feira (14), ao criticar a atuação dos colegas parlamentares e levantar suspeitas sobre contratos firmados entre a Prefeitura e a empresa Império.
Autor de um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), o vereador lamentou que a proposta não tenha sido aprovada por falta de apoio suficiente entre os parlamentares. Para ele, a negativa representa uma falha grave no papel fiscalizador do Legislativo.
“Vocês dizem pra mim que existe uma denúncia no Ministério Público, mas será que a gente tem que deixar que o Ministério Público faça o trabalho dos vereadores? A gente foi eleito pra quê?”, questionou Givagno em plenário, ao cobrar mais protagonismo da Câmara.
Durante sua fala, o vereador fez acusações diretas sobre a situação contratual da empresa Império com o município. Segundo ele, não haveria licitação vigente que ampare os pagamentos realizados à empresa.
“Essa empresa vem saqueando os cofres públicos. Está lá no empenho: modalidade não aplicável. Nem licitação existe mais. Existia um empenho, mas terminou. Mesmo assim, em pouco mais de um ano, recebeu mais de R$ 5 milhões”, afirmou.
Givagno ainda alegou que a empresa estaria executando serviços mesmo após o fim do contrato, o que, se confirmado, pode configurar irregularidade administrativa grave. Ele disse ter identificado registros no Portal da Transparência que indicariam pagamentos referentes a empenhos de anos anteriores.
“Não pode. Só em Macau que pode isso. Infelizmente, se essa Casa não pode mais fiscalizar, eu não sei mais por que a gente está aqui”, desabafou.
A fala do vereador expõe um clima de tensão política na Câmara Municipal e levanta questionamentos sobre a condução dos contratos públicos no município. Apesar das denúncias, até o momento, não houve posicionamento oficial da Prefeitura de Macau nem da empresa Império sobre as acusações.
O caso pode ganhar novos desdobramentos caso os órgãos de controle, como o Ministério Público, avancem nas investigações mencionadas durante a sessão. Enquanto isso, a população segue à espera de esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos públicos no município.
Por Alderi Tavares – Bacharel em Jornalismo