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[VÍDEO] Tulio Lemos analisa classificação de facções como grupos terroristas pelos EUA

Jornalista critica articulação de Flávio Bolsonaro junto ao governo norte-americano e afirma que medida pode comprometer a cooperação internacional e a soberania brasileira

Foto: FM 98/Programa 12 em Ponto

Durante o programa 12 em Ponto, o jornalista Túlio Lemos criticou a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em sua análise, ele afirmou que a medida, defendida pelo senador Flávio Bolsonaro, pode trazer consequências negativas para o combate ao crime organizado e para a cooperação entre Brasil e órgãos de segurança norte-americanos.

Túlio iniciou o comentário com críticas à atuação do parlamentar.

“É lamentável que um candidato a presidente da República seja tão entreguista, tão patriota fake como o Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Segundo o jornalista, a proposta ignora avaliações técnicas de profissionais que atuam diretamente no enfrentamento às facções criminosas. Ele citou o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, reconhecido pelo trabalho de combate ao PCC, para sustentar sua argumentação.

“Não sou eu que estou dizendo. Quem está dizendo é quem trata disso, é quem trabalha nesse caso”, declarou.

Cooperação internacional sob risco

De acordo com Túlio, a principal preocupação apresentada por especialistas é que a nova classificação possa afetar a troca de informações entre autoridades brasileiras e agências dos Estados Unidos.

“O promotor Lincoln Gakiya fala que toda semana tem contato com a DEA e também com o FBI, trocando informações sobre drogas e sobre as organizações criminosas”, disse.

Na avaliação do jornalista, a mudança de enquadramento das facções poderia alterar a estrutura responsável pelo acompanhamento desses grupos.

“Sabe o que acontece a partir de agora? Isso se acaba. Dito por ele. Porque, a partir do momento em que as organizações criminosas deixam de ser narcotraficantes e passam a ser terroristas, saem do controle da DEA e do FBI”, afirmou.

Facções não se enquadram como terrorismo

Outro ponto abordado durante o programa foi a definição jurídica e conceitual de terrorismo. Para Túlio, PCC e Comando Vermelho não se encaixam nessa classificação.

“Essas organizações não são terroristas”, declarou.

Ele argumentou que o terrorismo está tradicionalmente associado a motivações ideológicas, políticas ou religiosas, o que, segundo ele, não corresponde à atuação das facções criminosas brasileiras.

“São organizações criminosas que visam dinheiro, manutenção do tráfico de drogas, do tráfico de armas, do crime. Não têm nada a ver com terrorismo”, afirmou.

Soberania brasileira

O jornalista também levantou preocupações sobre possíveis impactos da medida para a soberania nacional.

“Isso permite que o Brasil ceda seu território sem precisar cedê-lo oficialmente”, disse.

Na sequência, Túlio defendeu o trabalho realizado pelas instituições brasileiras de segurança pública e criticou a busca por apoio externo para enfrentar o problema.

“Quando ele vai para lá pedir para que os Estados Unidos venham atuar aqui, ele não só joga a soberania brasileira no lixo, ele desrespeita instituições como o Exército, a Polícia Federal e as polícias dos estados”, afirmou.

Críticas ao discurso político

Ao encerrar sua análise, Túlio Lemos classificou a iniciativa como uma estratégia política e afirmou que o Brasil já possui instrumentos para combater as organizações criminosas.

“Ontem mesmo nós falamos aqui: o Brasil já combate fortemente as organizações criminosas”, disse.

Para o jornalista, o enfrentamento às facções deve continuar sendo conduzido pelas instituições brasileiras, com fortalecimento das ações de inteligência e investigação já realizadas no país.

Fonte: FM 98/Programa 12 em Ponto

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