
Paralisação foi aprovada por sindicatos de todos os estados após negociações salariais terminarem sem acordo; plano de saúde é um dos principais pontos de impasse
Os trabalhadores dos Correios aprovaram, na noite desta quinta-feira (10), uma greve por tempo indeterminado, com adesão de sindicatos de todos os estados do país. A informação foi confirmada pelo g1.
A decisão representa uma nova etapa da Campanha Salarial dos empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, após sucessivas rodadas de negociação terminarem sem um acordo entre trabalhadores e a direção da estatal.
Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde dos funcionários. A entidade afirma que a direção dos Correios pretende promover alterações no benefício, medida que é contestada pelos trabalhadores.
Ainda de acordo com a federação, a decisão pela paralisação ocorreu depois de diversas tentativas de negociação e de mediação junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Na avaliação da entidade, a empresa manteve sua posição em relação ao tema considerado central para a categoria.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios da Paraíba (Sintect-PB), Tony Sérgio, afirmou que, durante a paralisação, apenas os serviços administrativos internos devem continuar funcionando. Até o momento, não há informações detalhadas sobre o impacto inicial da greve em cada região do país.
Crise financeira
A paralisação ocorre em um momento de forte dificuldade financeira dos Correios. A estatal acumula 15 trimestres consecutivos de prejuízo.
No primeiro semestre deste ano, a empresa registrou uma perda de aproximadamente R$ 5,6 bilhões. Apesar do resultado negativo, o prejuízo registrado no segundo trimestre foi inferior ao dos dois trimestres anteriores, indicando uma recuperação parcial das contas após o resultado recorde negativo registrado no primeiro trimestre.
Novo empréstimo de R$ 7 bilhões
Em meio à crise financeira, os Correios também aguardam a liberação de um novo empréstimo. Segundo apuração do g1, a estatal espera receber os recursos até 15 de setembro.
O financiamento, no valor de R$ 7 bilhões, deverá ser concedido por um consórcio formado por Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul.
O novo empréstimo já havia sido confirmado pelos próprios Correios nas demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre, divulgadas no final de agosto.
A greve acrescenta mais um elemento de pressão sobre a estatal, que enfrenta simultaneamente dificuldades financeiras, necessidade de reorganização administrativa e impasses nas negociações com seus empregados.