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Macau e o eterno vazio de representação na Assembleia Legislativa do RN

Foto: Redação – Portal Macauense

Por Alderi Tavares – Bacharel em Jornalismo

Macau, cidade-polo da região salineira, maior produtora de sal do Brasil e detentora de uma história marcada pela força de seu povo, caminha para repetir mais uma vez um roteiro que há décadas incomoda: ficar sem um representante legítimo na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN).

A cada eleição estadual, renova-se a esperança de que Macau finalmente consiga eleger um deputado estadual. Mas, passada a disputa, a realidade volta a se impor. A cidade continua sem uma voz própria no Legislativo estadual, enquanto candidatos de outras regiões chegam durante o período eleitoral, conquistam votos, fazem promessas e, depois da eleição, desaparecem do cotidiano do povo macauense.

E por que isso acontece?

A resposta talvez esteja justamente na forma como a política local vem sendo conduzida.

As principais lideranças políticas de Macau — vereadores, prefeito, vice-prefeito e grupos políticos — frequentemente entram na disputa estadual negociando seus apoios a partir de interesses eleitorais particulares, utilizando como moeda de troca a quantidade de votos obtida nas últimas eleições municipais.

Cada liderança apoia um candidato. Cada grupo apresenta sua justificativa. E, no final, os votos de Macau são pulverizados entre candidatos de fora, tornando praticamente impossível que um nome identificado com a cidade consiga alcançar uma votação capaz de garantir uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Enquanto isso, candidatos da capital e de outras regiões chegam à Terra das Salinas como verdadeiras “sanguessugas eleitorais”, captando os sufrágios dos macauenses sem necessariamente assumir um compromisso permanente com os problemas e as necessidades do município.

Depois da eleição, Macau continua sem representante.

Uma história que se repete

O último representante de Macau na Assembleia Legislativa foi Floriano Bezerra de Araújo, durante o período da ditadura militar. Sua trajetória, inclusive, foi marcada pela perseguição política, prisão e cassação do mandato por sua postura de oposição ao regime da época.

Desde então, a cidade não conseguiu construir uma representação estadual capaz de ocupar novamente esse espaço.

É preciso perguntar: por quê?

Como uma cidade com importância econômica, história política e localização estratégica pode passar décadas sem conseguir eleger um deputado estadual?

Macau possui pouco mais de 28 mil habitantes e quase 23 mil eleitores. Não se trata de uma cidade sem eleitorado. Trata-se de uma cidade que, eleição após eleição, não consegue transformar sua força eleitoral em representação política.

E isso precisa ser discutido.

Afinal, para que serve um deputado estadual?

Talvez seja justamente essa pergunta que precise ser feita à população e, principalmente, às pessoas que fazem política em Macau.

Para que serve um deputado estadual?

Um deputado estadual não é apenas alguém que aparece em uma fotografia durante a campanha eleitoral, promete ajudar o município e pede votos.

O parlamentar estadual tem papel importante na elaboração e fiscalização das políticas públicas do Estado, na apresentação de projetos, na destinação de recursos por meio de emendas e na defesa dos interesses dos municípios junto ao Governo do Estado.

Macau precisa de alguém que conheça seus problemas, acompanhe suas demandas e tenha compromisso permanente com a população.

Não significa dizer que um deputado de outra cidade não possa trabalhar por Macau. Pode e deve, quando receber votos dos macauenses. A questão é outra: por que Macau não consegue construir uma candidatura competitiva e um projeto político capaz de unir sua força eleitoral?

Onde está o projeto para Macau?

Enquanto os grupos políticos discutem quem apoiará quem, Macau continua enfrentando problemas históricos.

A cidade parece ter ficado estagnada no tempo.

Faltam políticas consistentes de geração de emprego e renda. Faltam estratégias para atrair empresas. Falta um projeto de desenvolvimento econômico capaz de aproveitar o potencial territorial e a localização privilegiada do município.

Onde está a discussão sobre a implantação de um polo industrial em Macau?

Onde estão os projetos para qualificar a juventude?

Onde está o planejamento para transformar as riquezas naturais e a posição estratégica do município em oportunidades para quem mora aqui?

Macau não pode viver eternamente apenas de ciclos econômicos tradicionais e de empregos públicos ou temporários.

Uma cidade que pretende crescer precisa pensar décadas à frente.

Precisa criar condições para que empresas se instalem, para que novos negócios surjam e para que os jovens tenham oportunidade de construir suas vidas dentro do próprio município.

A juventude está indo embora

Talvez uma das consequências mais dolorosas dessa falta de planejamento seja percebida justamente entre os jovens.

Sem perspectivas de emprego e renda, muitos deixam Macau em busca de oportunidades em outras cidades.

Partem para a capital, para outros centros urbanos e até para outros estados.

E levam consigo sonhos que deveriam poder ser realizados em sua própria terra.

O jovem macauense não deveria ser obrigado a abandonar sua família, seus amigos e suas raízes simplesmente porque sua cidade não consegue oferecer oportunidades.

Macau precisa criar condições para que sua juventude possa ficar.

E isso exige política pública, planejamento, articulação institucional e, acima de tudo, vontade política.

Até quando?

A próxima eleição estadual se aproxima e, mais uma vez, existe o risco de assistirmos ao mesmo filme.

Vários candidatos de fora chegarão a Macau.

Cada grupo político poderá apresentar seu candidato.

Cada vereador poderá negociar seu apoio.

Os votos poderão ser novamente divididos.

E, no dia seguinte à eleição, a cidade poderá continuar sem um deputado estadual.

Até quando Macau aceitará essa realidade?

Até quando os interesses individuais e eleitorais estarão acima de um projeto coletivo?

Até quando a população será chamada apenas para entregar votos, sem participar efetivamente da construção de um projeto de desenvolvimento para o município?

Macau precisa amadurecer politicamente.

Não se trata de defender um nome específico. Trata-se de defender um projeto de cidade.

A eleição de um deputado estadual macauense não resolveria, sozinha, todos os problemas do município. Mas ter uma representação política comprometida com Macau poderia abrir portas, fortalecer reivindicações e ampliar a capacidade de articulação da cidade junto ao Governo do Estado e demais instituições.

O que falta, talvez, não seja eleitorado.

Falta união política em torno de um projeto que coloque Macau acima dos interesses individuais.

Enquanto cada liderança continuar olhando apenas para sua própria conta eleitoral, candidatos de fora continuarão levando os votos de Macau.

E a cidade continuará sem voz própria na Assembleia Legislativa.

Macau tem história.

Macau tem território.

Macau tem potencial econômico.

Macau tem eleitorado.

Macau tem gente trabalhadora.

O que Macau precisa, agora, é transformar tudo isso em força política.

Caso contrário, mais uma eleição passará, os votos serão novamente pulverizados e a velha pergunta continuará sem resposta:

Até quando Macau continuará elegendo deputados de fora e ficando sem um representante seu na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte?

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