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Vídeo da Polícia Federal detalha divisão da propina para Allyson

Foto: Reprodução

Vídeo da PF registra conversa sobre supostos repasses a Allyson em contratos da saúde de Mossoró

Gravação integra as provas da Operação Mederi e mostra sócios da DISMED discutindo a divisão de valores de uma ordem de compra de R$ 400 mil

O Diário do RN teve acesso, nesta quarta-feira (23), a um vídeo produzido a partir de uma escuta ambiental da Polícia Federal que integra as investigações da Operação Mederi, que apura suspeitas de irregularidades em contratos da área da saúde durante a gestão de Allyson Bezerra à frente da Prefeitura de Mossoró. O atual candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo União Brasil é citado nominalmente na gravação.

As imagens foram captadas no escritório da DISMED Distribuidora, empresa que fornecia medicamentos ao município de Mossoró. Na conversa, dois sócios discutem a divisão de valores relacionada a uma ordem de compra pública e mencionam supostos pagamentos destinados ao então prefeito e a uma mulher identificada como “Fátima”.

Segundo o relatório da Polícia Federal, os interlocutores são Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares, sócios da empresa.

“Matemática de Mossoró”

Em determinado momento da conversa, um dos empresários apresenta o que chama de “matemática de Mossoró”, utilizando como exemplo uma ordem de compra no valor de R$ 400 mil.

Na explicação, ele afirma que, depois de uma série de cálculos envolvendo custos e percentuais, seriam destinados R$ 100 mil a Allyson e a “Fátima”, sendo 15% atribuídos a Allyson e 10% a Fátima.

“Dos R$ 130, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima. É 10% de Fátima e 15% de Allyson”, afirma o empresário na gravação.

O diálogo é apresentado pela investigação como parte do conjunto de elementos utilizados para apurar a existência de um possível esquema envolvendo contratos públicos de medicamentos.

A gravação, entretanto, registra as afirmações feitas pelos empresários e, por si só, não estabelece responsabilidade criminal dos citados. A investigação continua em andamento.

Escuta foi instalada pela Polícia Federal

O vídeo foi produzido a partir de uma captação ambiental realizada pela Polícia Federal dentro da sede da DISMED, durante as diligências da Operação Mederi. O material foi incorporado aos autos da investigação como elemento de prova.

A Operação Mederi foi deflagrada em janeiro de 2026 pela Polícia Federal, com participação da Controladoria-Geral da União, para investigar suspeitas de fraudes em contratações e desvios de recursos públicos destinados à saúde em municípios do Rio Grande do Norte. Allyson Bezerra foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão durante a operação.

De acordo com informações divulgadas anteriormente sobre a investigação, a DISMED mantinha contratos de fornecimento de medicamentos com a Prefeitura de Mossoró. A PF apura, entre outros pontos, possíveis irregularidades na execução dos contratos e suspeitas relacionadas aos pagamentos realizados pelo poder público.

Investigação segue em andamento

A divulgação do novo vídeo acrescenta mais um elemento ao conjunto de provas analisado pela Polícia Federal. Em agosto, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região manteve a investigação e rejeitou pedido da defesa da DISMED para retirar dos autos materiais obtidos durante a operação, incluindo a captação ambiental realizada na sede da empresa.

Allyson Bezerra já negou envolvimento nas irregularidades investigadas. No início da operação, sua defesa afirmou que não havia fato que o vinculasse pessoalmente às suspeitas e que ele colaboraria com as diligências.

Até o momento, as referências feitas pelos empresários na gravação fazem parte de uma investigação policial em curso. Eventuais responsabilidades individuais dependerão da análise das provas, das conclusões da investigação e das manifestações do Ministério Público e da Justiça.

Fonte: Diário do RN / Com informações da Polícia Federal.

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