
Disputa entre Allyson Bezerra e Cadu de Lula começa praticamente do zero, com diferença inferior a um ponto percentual no primeiro turno
A eleição para o Governo do Rio Grande do Norte entra em uma nova etapa a partir desta semana. Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT) voltam às urnas no dia 25 de outubro, depois de protagonizarem uma das disputas mais apertadas do primeiro turno das eleições de 2026.
Na apuração do primeiro turno, os dois candidatos terminaram separados por menos de um ponto percentual. O resultado consolidou uma disputa aberta para a segunda etapa, na qual os votos dos demais candidatos, a capacidade de ampliar alianças e a mobilização dos eleitores passam a ter peso ainda maior.
Neste cenário, cinco fatores podem ter papel importante na definição do resultado no estado:
1. Para onde irão os votos de Álvaro Dias
O primeiro fator é o comportamento dos eleitores que votaram em Álvaro Dias (PL) no primeiro turno.
O candidato terminou a primeira etapa com 26,77% dos votos válidos, formando um eleitorado numericamente relevante para a segunda rodada. Agora, a questão é saber quanto desse eleitorado migrará para cada candidato, quanto poderá permanecer indeciso e qual parcela poderá optar por não comparecer às urnas.
A posição política de Álvaro e de suas principais lideranças também pode influenciar a transferência de votos, embora apoio formal de uma liderança não signifique, necessariamente, transferência automática de todo o eleitorado.
2. A disputa por novas alianças
O segundo turno também abre espaço para uma nova rodada de negociações políticas.
Com apenas dois candidatos na disputa, prefeitos, ex-candidatos, deputados, vereadores e lideranças regionais passam a ser procurados pelas duas campanhas.
Allyson já declarou que pretende ampliar o diálogo com forças políticas que não estiveram ao seu lado no primeiro turno e não descartou conversas com setores da direita que apoiaram outros candidatos.
Do outro lado, Cadu chega ao segundo turno associado ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da governadora Fátima Bezerra, fator que deverá continuar sendo explorado pela campanha petista.
A capacidade de transformar apoios políticos em presença territorial e mobilização eleitoral será um dos elementos observados durante as próximas semanas.
3. O desempenho nas diferentes regiões do RN
Outro ponto decisivo será a distribuição dos votos pelo território potiguar.
O primeiro turno mostrou que a disputa não se resume ao resultado estadual. Cada município possui uma dinâmica política própria, com influência de prefeitos, vereadores, lideranças locais e estruturas partidárias.
Em uma eleição tão equilibrada, pequenas mudanças de votação em diversas cidades podem produzir uma diferença significativa no resultado final.
Por isso, as campanhas deverão intensificar agendas no interior, especialmente em municípios onde a votação dos dois candidatos ficou próxima ou onde existe espaço para crescimento.
4. A influência da eleição presidencial
O segundo turno estadual também acontecerá no mesmo dia da segunda etapa da eleição presidencial.
No Rio Grande do Norte, Cadu de Lula conta com o vínculo político com o presidente Lula, enquanto Allyson deverá buscar ampliar seu diálogo com diferentes setores do eleitorado e das forças políticas estaduais. A disputa nacional poderá, portanto, influenciar parte do comportamento do eleitor potiguar.
O efeito dessa polarização, porém, não é automático. O eleitor pode separar sua escolha para presidente daquela feita para governador, especialmente em uma eleição estadual marcada por trajetórias e alianças locais.
5. Propaganda, debates e capacidade de mobilização
O quinto fator será a campanha propriamente dita.
A partir de 9 de outubro, os candidatos do segundo turno passam a contar novamente com propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, que seguirá até 23 de outubro, dois dias antes da votação.
Com apenas dois candidatos, cada mensagem terá maior espaço para ser explorada. Debates, entrevistas, propaganda eleitoral, redes sociais e atos de campanha poderão influenciar eleitores que ainda não definiram seu voto.
Além disso, a mobilização no dia da eleição será importante. Em uma disputa com diferença inferior a um ponto percentual no primeiro turno, alterações na participação eleitoral podem ter impacto relevante sobre o resultado.
Uma eleição que começa com números muito próximos
O primeiro turno deixou uma fotografia de equilíbrio. Allyson e Cadu chegaram ao segundo turno com percentuais muito próximos, enquanto Álvaro Dias concentrou mais de um quarto dos votos válidos.
Agora, a disputa muda de configuração: são apenas dois candidatos, três semanas de campanha e um eleitorado que terá de escolher entre duas alternativas para o Governo do Estado.
Até 25 de outubro, alianças, transferência de votos, desempenho regional, influência da eleição presidencial, comunicação das campanhas e mobilização dos eleitores estarão no centro da disputa.
O resultado, porém, será definido exclusivamente pelos votos depositados nas urnas no segundo turno.