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Senado aprova aumento do teto do MEI para R$ 140 mil e perdão de dívidas de milhões de empreendedores

Foto: Reprodução

Projeto aprovado por unanimidade prevê ampliação do faturamento anual a partir de 2027, contratação de até dois funcionários e anistia de débitos inscritos na Dívida Ativa da União. Proposta segue para sanção presidencial.

O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (15) um projeto de lei que amplia o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI), permite a contratação de até dois funcionários e prevê o perdão de dívidas inscritas na Dívida Ativa da União. A proposta recebeu 78 votos favoráveis e nenhum contrário e segue para sanção presidencial, após ter sido aprovada anteriormente pela Câmara dos Deputados.

Uma das principais mudanças previstas no texto é a atualização do teto de faturamento do MEI, atualmente fixado em R$ 81 mil por ano. Caso a proposta seja sancionada, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028.

O valor não era atualizado desde 2018. A mudança busca acompanhar a inflação acumulada nos últimos anos e ampliar a capacidade de crescimento dos pequenos negócios, permitindo que mais empreendedores permaneçam enquadrados no regime simplificado.

Contratação de funcionários

Outro ponto importante do projeto é a ampliação do número de empregados que podem ser contratados por um microempreendedor individual.

Atualmente, a legislação permite a contratação de apenas um funcionário. Com a nova regra, cada MEI poderá ter até dois empregados, desde que recebam pelo menos um salário mínimo ou o piso salarial estabelecido para a categoria profissional.

A medida poderá beneficiar pequenos estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e profissionais autônomos que precisam ampliar suas equipes para atender à demanda, mas encontram limitações nas regras atuais.

Perdão de dívidas pode beneficiar 3,6 milhões de MEIs

O projeto também prevê anistia integral das dívidas de microempreendedores individuais inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026.

A estimativa apresentada para a medida é de que aproximadamente 3,6 milhões de MEIs sejam beneficiados, com um volume de débitos que chega a cerca de R$ 12,6 bilhões.

O benefício, porém, estará condicionado à regularidade tributária dos empreendedores. Para manter o perdão das dívidas, será necessário pagar regularmente os tributos durante os seis meses seguintes à entrada em vigor da lei.

Caso essa exigência não seja cumprida, o benefício poderá ser cancelado.

O texto também estabelece que os beneficiários desistam de eventuais ações judiciais relacionadas às dívidas que estejam em andamento quando a lei entrar em vigor. Nesses casos, não haverá cobrança de honorários advocatícios decorrentes da extinção dos processos.

Limite de licitações exclusivas também será ampliado

A proposta aprovada pelos senadores prevê ainda mudanças nas regras de contratação pública. O limite das licitações destinadas exclusivamente à participação de microempresas e empresas de pequeno porte passará de R$ 80 mil para R$ 100 mil.

A alteração busca ampliar as oportunidades para pequenos negócios participarem de compras e contratos da administração pública, fortalecendo a presença desse segmento nas atividades econômicas.

Justificativa para a mudança

O relator da proposta no Senado, Carlos Fávaro (PSD-MT), defendeu a atualização dos limites como uma forma de corrigir a defasagem acumulada desde a última revisão das regras.

Segundo os dados apresentados pelo governo, a inflação acumulada desde 2018 supera 54%, o que reforça a necessidade de rever os valores para acompanhar a realidade econômica.

O que muda para o microempreendedor?

Se o projeto for sancionado nos termos aprovados pelo Congresso, as principais mudanças serão:

  • Faturamento anual: teto de R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.
  • Contratação: possibilidade de empregar até dois funcionários.
  • Dívidas: previsão de anistia integral dos débitos inscritos na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026, conforme as condições estabelecidas.
  • Licitações: aumento de R$ 80 mil para R$ 100 mil no limite das contratações exclusivas para microempresas e empresas de pequeno porte.

A proposta representa uma mudança relevante para milhões de pequenos empreendedores brasileiros. A efetivação das novas regras, entretanto, depende da sanção presidencial e da entrada em vigor da legislação.

Para os MEIs, a atualização poderá abrir espaço para ampliar o faturamento, contratar mais trabalhadores e reorganizar a situação fiscal, desde que sejam observadas as condições previstas no texto aprovado.

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