
Presidente criticou viagem do senador durante comemoração de seu aniversário de 81 anos e comparou o episódio à própria trajetória política e judicial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta terça-feira (27), a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil com destino aos Estados Unidos, dois dias após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais. Durante a comemoração de seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, em Brasília, Lula classificou a atitude do adversário como “vergonhosa” e afirmou que ele deveria permanecer no país para responder às acusações contra ele. As declarações foram divulgadas pela Agência Brasil e pela Reuters.
“Eu lamento que ele tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar aqui e provar que as acusações que estou lendo na imprensa não são verdadeiras. E esse ato de sair do Brasil é vergonhoso, é vergonhoso”, declarou o presidente.
Em outro momento do discurso, Lula questionou os motivos da viagem e afirmou que a permanência no Brasil permitiria ao senador se defender das suspeitas divulgadas publicamente.
“Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido do seu país é porque ele tem alguma coisa”, disse o presidente.
Lula compara episódio à própria trajetória política
Durante o pronunciamento, Lula lembrou das derrotas que sofreu em eleições presidenciais anteriores, para Fernando Collor de Mello, em 1989, e Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. Segundo o presidente, ele permaneceu no Brasil mesmo após os resultados desfavoráveis.
O petista também recordou o período em que foi investigado e preso no âmbito da Operação Lava Jato. Ele afirmou que recebeu convites para deixar o país, mas decidiu permanecer em território brasileiro para contestar as acusações.
“Eu tive muito convite para ir para a embaixada. Eu resolvi ficar aqui no Brasil e resolvi me entregar à Polícia Federal, porque eu queria desmascarar os meus acusadores e provar a minha inocência. E estou aqui, sendo reeleito por mais um mandato, por conta de vocês”, declarou aos apoiadores.
Lula também mencionou a entrega de seu passaporte às autoridades e afirmou que Flávio Bolsonaro deveria ter adotado uma postura semelhante.
“Quando pediram para eu entregar o meu passaporte, eu entreguei”, disse.
Viagem ocorreu em meio a investigações
A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos foi noticiada nesta terça-feira pela Reuters, que citou fontes do governo norte-americano e um aliado próximo do senador.
Segundo as informações publicadas, a saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o parlamentar entregasse seus passaportes à Polícia Federal dentro do prazo estabelecido.
Flávio é alvo de investigações que incluem suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Os investigados negam irregularidades. A existência de investigações não representa, por si só, comprovação de culpa.
A situação ampliou a repercussão política da viagem, especialmente por ter ocorrido pouco depois do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
Presidente critica relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos
Além das declarações sobre a saída do senador, Lula direcionou críticas à família Bolsonaro, questionando a relação política de seus integrantes com os Estados Unidos.
O presidente também afirmou que plataformas digitais, setores do mercado financeiro e o governo norte-americano atuaram contra sua reeleição. Durante o discurso, voltou a defender a soberania nacional e declarou que o Brasil não deve se submeter aos interesses de outros países.
A fala reforçou um dos temas presentes na campanha eleitoral de Lula: a defesa da autonomia brasileira nas relações internacionais.
Declarações ocorrem após o segundo turno
As críticas foram feitas dois dias depois da votação que confirmou a reeleição de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
A saída do senador para os Estados Unidos, as determinações judiciais relacionadas à entrega de seus passaportes e as declarações do presidente acrescentaram um novo capítulo à disputa política entre os dois grupos.
O episódio também deve manter em evidência o debate sobre as investigações envolvendo o parlamentar e os desdobramentos judiciais relacionados ao caso.
Fontes: Agência Brasil, Reuters e veículos de imprensa que acompanharam as declarações de Lula em 27 de outubro de 2026.