
A Câmara de Vereadores de Macau assiste, com frieza e inércia, às ações que o Poder Executivo vem planejando para o ano de 2026. O que deveria ser um poder independente, cuja principal função é fiscalizar e questionar as decisões do chefe do Executivo municipal, parece ter escolhido o caminho do silêncio — um silêncio que soa como cumplicidade.
Recentemente, a prefeita de Macau concedeu entrevista a uma rádio local e afirmou, sem rodeios, que contraiu um empréstimo de R$ 10 milhões em nome da Prefeitura para investir na reforma das escolas do município, justificando que muitas delas estariam com estruturas deterioradas e afirmando que a educação do município é “precária”. O que causa estranheza é que essa decisão foi tomada mesmo diante de uma arrecadação robusta: quase R$ 15 milhões apenas no mês de janeiro.
Diante desse cenário, cabe à Câmara Municipal — como órgão fiscalizador e representante do povo — explicar à população como estão sendo aplicados os recursos públicos. Afinal, mesmo com uma arrecadação capaz de causar inveja a muitos municípios do Rio Grande do Norte, Macau continua presa a uma estagnação crônica. O tempo parece ter parado por aqui. O atraso social e administrativo se instalou e fez morada há anos, sem que medidas efetivas sejam tomadas para romper esse ciclo.
O retrocesso é visível em todas as áreas, inclusive na cultura e no esporte. Nem mesmo o tradicional Campeonato de Blocos, considerado uma das principais prévias carnavalescas da cidade, escapou do descaso administrativo. Apesar de Macau ter recebido uma emenda parlamentar de R$ 500 mil, destinada pelo deputado federal General Girão, para a reconstrução da praça esportiva, a obra sequer tem data para começar. Como consequência, a competição foi transferida para um local inadequado, prejudicando atletas, torcedores e a tradição do evento.
O que mais revolta a população não é apenas a má gestão ou as decisões questionáveis do Executivo, mas o comodismo da Câmara de Vereadores, que acompanha tudo de perto, mas não se pronuncia, não cobra e não cumpre seu papel constitucional. O povo observa, espera respostas e ações, enquanto seus representantes preferem o conforto do silêncio.
E é justamente esse silêncio — prolongado, conveniente e ensurdecedor — que hoje mais incomoda Macau.
Por Alderi Tavares – Bacharel em Jornalismo