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Considerado como o Carnaval das multidões, Macau vive decadência e perde força a cada ano

Reconhecido como patrimônio cultural histórico e imaterial do Rio Grande do Norte, o Carnaval de Macau — tradicionalmente chamado de festa de Momo na Cidade do Sal — enfrenta um cenário preocupante de esvaziamento, falta de investimentos e perda de protagonismo no calendário estadual.

Ao longo dos anos, o que já foi considerado um dos carnavais mais vibrantes do interior potiguar vem sofrendo com a redução de estrutura e de incentivos por parte do município. A cada edição, foliões e comerciantes relatam queda na programação, diminuição do público e ausência de atrações de maior porte.

Quem ainda mantém viva a chama do reinado de Momo são o frevo noturno na Praça e a resistência dos blocos tradicionais, como o Torô-Torô, Agora Deu, Caça Cabaço e Depois Eu Digo. Durante os quatro dias de festa, são essas agremiações que arrastam foliões pelas ruas, preservando a identidade cultural que marcou gerações.

Mesmo com a manutenção do apoio logístico — como atuação da Guarda Civil Municipal, reforço da Polícia Militar e disponibilização de ambulância — o investimento artístico e estrutural vem encolhendo. Em 2026, a situação ganhou um novo capítulo: a Prefeitura sequer divulgou oficialmente uma programação detalhada com os nomes dos artistas locais que se apresentarão.

Outro ponto que chamou atenção foi a ausência do tradicional trio elétrico puxando os foliões no arrastão do mela-mela. Neste ano, apenas paredões de som farão o percurso, substituindo um dos símbolos da grandiosidade que o evento já teve em outras épocas.

Para muitos macauenses, o Carnaval não é apenas uma festa, mas parte da identidade cultural da cidade. A sensação predominante é de que o evento resiste pela força popular, e não pelo planejamento estratégico do poder público. O declínio gradual levanta questionamentos sobre a valorização do patrimônio cultural e o futuro da principal manifestação festiva do município.

Sem planejamento consistente, divulgação eficiente e investimentos compatíveis com sua importância histórica, o Carnaval de Macau corre o risco de se tornar apenas uma lembrança nostálgica do que já foi um dos maiores do estado.

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