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Abstenções, votos brancos e nulos podem bater recorde nas eleições de 2026, avalia cientista político

Foto: BBC

A abstenção nas eleições de 2026 pode alcançar o maior nível das últimas décadas, segundo avaliação do cientista político Jairo Nicolau, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ele também projeta uma possível alta nos votos brancos e nulos.

A análise ocorre a cerca de uma semana da votação, em entrevista para a BBC Para Nicolau, o cenário atual combina desânimo com os candidatos, repetição da polarização entre petismo e bolsonarismo e pouco espaço para o debate eleitoral.

“Essa é uma eleição em que as pessoas estão desanimadas com os candidatos que estão aí, e que tem grande chance de aumentar, num nível razoável, a abstenção e os votos nulos e brancos”, afirmou à BBC.

Abstenção pode superar níveis recentes

O cientista político considera possível que o país registre a maior taxa de abstenção em eleições gerais desde 2002.

“Talvez a gente tenha a maior taxa de abstenção nas eleições gerais de 2002 para cá”, disse.

A avaliação, porém, é uma projeção do pesquisador e não representa uma estimativa oficial do resultado eleitoral.

Nicolau ressalta ainda que a ausência às urnas não significa necessariamente uma decisão deliberada de rejeitar candidatos ou deixar de participar da política.

Perfil de quem não vota varia entre grupos

No livro O país dividido, publicado em junho pela Zahar, Nicolau analisou o perfil dos eleitores que não compareceram às urnas nas seis eleições presidenciais realizadas entre 2002 e 2022.

Segundo o pesquisador, a abstenção não se distribui de maneira uniforme entre diferentes grupos do eleitorado.

Ele afirma, por exemplo, que mulheres costumam apresentar maior comparecimento eleitoral. Já pessoas com menor escolaridade registram índices mais altos de ausência.

“As mulheres comparecem mais, então o comparecimento feminino favorece o Lula. Mas as pessoas de baixa escolaridade comparecem menos. E isso prejudica o Lula”, afirmou.

A relação descrita pelo pesquisador se baseia no perfil histórico observado nos pleitos analisados e não permite determinar previamente o efeito de uma eventual alta da abstenção neste ano.

Facilidade para justificar ausência também entra no cálculo

Outro fator apontado por Nicolau é a redução do custo prático de não comparecer às urnas.

Na avaliação dele, a possibilidade de justificar a ausência com maior facilidade e as consequências relativamente limitadas para quem não vota reduzem o peso da obrigatoriedade.

Para o cientista político, esse movimento aproxima o funcionamento prático do sistema brasileiro de um modelo de voto facultativo, mesmo que o voto continue juridicamente obrigatório para parte do eleitorado.

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