
A tentativa de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Macau escancarou, mais uma vez, o que muitos moradores já percebem no dia a dia: a fragilidade do papel fiscalizador do Legislativo diante das ações do Executivo municipal.
Nesta semana, o vereador Givagno Patrese protocolou um pedido de CPI para investigar contratos milionários firmados entre a Prefeitura de Macau e a empresa Império. No entanto, a iniciativa encontrou resistência dentro da própria Casa. Apenas o autor da proposta e o vereador Robson Kelly votaram a favor da abertura da investigação, número insuficiente para dar andamento ao processo.
A proposta foi rejeitada com votos contrários da presidente da Câmara, Ceição Lins, e dos vereadores Fagner Teodósio, Érika Nobre, Zé Maria, Jefersson Breno (Jefinho), Edvaldo Júnior, além de Nilson de Barreiras, Manoel Francisco (Nenéo) e Manoel da Costa (Baêga), representantes da comunidade de Diogo Lopes.
A rejeição da CPI levanta questionamentos sobre a independência do Legislativo municipal e sua disposição em cumprir uma de suas funções mais básicas: fiscalizar os atos do poder Executivo. Ao barrar uma investigação que envolve cifras elevadas de recursos públicos, a Câmara transmite à população a sensação de omissão e complacência.
Mais do que um embate político, o episódio reflete diretamente na confiança da população. Em um cenário onde serviços essenciais como coleta de lixo, saúde, educação, assistência social e infraestrutura enfrentam dificuldades, a ausência de uma fiscalização mais rigorosa contribui para aumentar a percepção de abandono administrativo.
Uma Câmara que se esquiva de investigar possíveis irregularidades deixa de cumprir seu papel constitucional e enfraquece a representação popular. O resultado é uma população cada vez mais descrente das instituições e vulnerável aos impactos de uma gestão que, segundo críticas recorrentes, não tem conseguido atender plenamente às demandas básicas do município.
Diante desse cenário, cresce a cobrança para que o Legislativo de Macau assuma uma postura mais ativa, transparente e alinhada com os interesses da população — e não apenas com a manutenção do status político.
Por Alderi Tavares – Bacharel em Jornalismo