
Mesmo com uma arrecadação recorde e contratos que somam R$ 46 milhões na saúde, gestão Flávia Veras é criticada por falta de investimentos em áreas essenciais e descaso com os serviços públicos.
A cidade de Macau vive uma contradição gritante entre números e realidade. Apenas nos primeiros nove meses da gestão da prefeita Flávia Veras, a Prefeitura já arrecadou R$ 114.395.685,65, segundo dados oficiais do próprio município. A projeção para o encerramento de 2025 é ainda mais robusta: R$ 186.912.660,00 em receitas públicas.
Apesar dessa expressiva arrecadação, o que se observa nas ruas e nos serviços públicos é bem diferente do que os números sugerem. A saúde municipal é o setor mais crítico: faltam medicamentos, o atendimento básico enfrenta sobrecarga e a população continua sem acesso digno a exames, consultas e tratamentos especializados, mesmo existindo contratos milionários na pasta que num total chegam a R$ 46 milhões. A sensação entre os moradores é de abandono — e cresce a percepção de que a saúde não é uma prioridade na atual gestão.
Na educação, as queixas também se acumulam. Estrutura precisando de melhorias, frota escolar sucateada, escolas com problemas de manutenção e ausência de investimentos em formação de professores têm comprometido a qualidade do ensino. Já na infraestrutura urbana, a cidade sofre com buracos nas ruas, acumulo de lixo, iluminação deficiente e obras estruturantes não existem em andamento, reflexo de uma administração que parece não devolver à população o retorno esperado dos altos valores arrecadados.
Especialistas em gestão pública apontam que a falta de transparência e planejamento pode estar na raiz do problema. Mesmo com uma das maiores arrecadações entre os municípios do litoral potiguar, Macau ainda enfrenta desafios básicos de gestão e execução orçamentária.
Enquanto os cofres municipais seguem cheios, os serviços essenciais continuam vazios de eficiência — e a população paga o preço com a queda na qualidade de vida.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Macau não respondeu aos questionamentos sobre como os recursos arrecadados estão sendo aplicados nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. O espaço permanece aberto para manifestação da gestão municipal.

Portal Macauense