
Em meio a uma grave crise nos serviços básicos, a Prefeitura de Macau, no Rio Grande do Norte, homologou um contrato milionário para a aquisição de artefatos e pré-moldados de concreto. O Pregão Eletrônico nº 008/2025 foi adjudicado em favor da empresa Oeste Verde Premoldados e Artefatos de Concretos Ltda, inscrita no CNPJ 14.032.202/0001-20. O valor total do contrato assinado chega à expressiva quantia de R$ 16.823.034,00.
O que causa indignação é o contraste gritante entre esse investimento e o abandono vivido em áreas essenciais da cidade. Enquanto recursos milionários são direcionados à compra de estruturas de concreto, a educação pública enfrenta um verdadeiro colapso: os ônibus escolares circulam em condições precárias, os estudantes ainda não receberam fardamentos novos e diversas escolas permanecem sem manutenção mínima, com salas deterioradas e falta de ventilação adequada.
A situação não é melhor na saúde pública. Moradores relatam a constante falta de médicos em especialidades básicas, além da escassez de medicamentos de uso contínuo e insumos hospitalares. Postos de saúde vivem com estoques reduzidos e sem capacidade de atendimento à demanda da população.
Na limpeza urbana, o cenário é de completo abandono. Ruas sujas, lixos acumulados, calçadas quebradas, praças esquecidas e até o cemitério da cidade encontra-se tomado pelo mato e detritos. A infraestrutura urbana também reflete o descaso: ruas esburacadas, falta de pavimentação adequada e serviços básicos ineficientes tornam a mobilidade urbana um desafio diário.
Diante de tudo isso, a população questiona: qual é a prioridade da atual gestão municipal? Como justificar um investimento de quase R$ 17 milhões em artefatos de concreto enquanto os pilares básicos do bem-estar coletivo – educação, saúde, limpeza e infraestrutura – estão em ruínas?
A homologação do contrato ocorre em um momento em que a cidade clama por socorro. A transparência e o bom uso do dinheiro público deveriam ser compromissos inegociáveis de qualquer administração. No entanto, o que se observa em Macau é uma escolha que ignora as reais necessidades da população, aprofundando ainda mais a crise social e a indignação popular.
Cabe agora aos órgãos de fiscalização e à sociedade civil organizada exigir explicações e cobrar ações concretas que reflitam o interesse público – e não apenas cifras em contratos que parecem seguir na contramão da realidade vivida pelos macauenses.

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