
A produção de petróleo e gás no Rio Grande do Norte alcançou em dezembro de 2025 o seu pior patamar desde a década de 1980, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A média diária no último mês do ano foi de 33 mil barris por dia, um número significativamente inferior aos volumes observados uma década atrás — quase o dobro do atual.
Esse recuo representa uma tendência de declínio que vem se consolidando nos últimos anos e acende um alerta sobre os efeitos econômicos e sociais no estado potiguar.
Especialistas e representantes do setor apontam vários fatores para a redução na extração:
- Campos maduros: Muitos campos petrolíferos no RN são antigos e já se encontram em fase de declínio natural, o que exige técnicas mais complexas e caras de extração.
- Mudança no perfil de operadores: A saída da Petrobras de campos em terra e águas rasas deixou espaço para empresas menores, com menor capacidade de investimento e tecnologia de ponta.
- Falta de investimentos robustos: Sindicatos e especialistas apontam que muitos blocos exploratórios não receberam investimento adequado, o que limita a recuperação de produção.
- Preços internacionais em queda: A redução do preço do barril no mercado mundial no fim de 2025 agravou a pressão sobre os custos e a rentabilidade da produção.
Impactos na economia estadual
A atividade de petróleo e gás tem um peso substancial na economia do RN:
- A indústria de petróleo responde por mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do estado, segundo a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte.
- A queda na produção tem reduzido a arrecadação com royalties, impactando o orçamento tanto do governo estadual quanto de municípios produtores.
- Municípios como Mossoró, Guamaré e Macau já sentem os efeitos diretos na geração de empregos, comércio local e receitas públicas.
Nos primeiros meses de 2026, o repasse de royalties ao RN também apresentou queda, refletindo a continuidade da retração e suas consequências fiscais para prefeituras e administrações locais.
Desafios e perspectivas
O cenário atual coloca desafios para o futuro da economia potiguar. Entre os principais pontos discutidos:
- Investimentos planejados: O governo do estado projeta investimentos de cerca de R$ 3 bilhões até 2030 para estimular a atividade petrolífera, inclusive com foco em novas fronteiras como a margem equatorial.
- Tecnologia e inovação: Pesquisas em universidades estaduais, como sensores e soluções para otimizar operações de produção, podem ajudar a reduzir falhas e custos no longo prazo.
- Necessidade de políticas públicas: Há pressão para que políticas específicas incentivem a atração de grandes investimentos e ampliem a exploração eficiente dos campos já existentes.
Contexto mais amplo
Apesar da queda em petróleo, outros segmentos do setor energético potiguar mostram sinais de dinamismo: a produção de gás natural tem crescido nos últimos anos, com aumentos expressivos segundo dados da ANP.
Contudo, essa expansão não tem sido suficiente para compensar a redução da produção de óleo nem para neutralizar os efeitos econômicos adversos no estado.
Conclusão
A queda da produção de petróleo no Rio Grande do Norte não é apenas um número — é um fenômeno com impactos econômicos, sociais e fiscais que afetam diretamente a vida das comunidades e o desenvolvimento regional. A combinação de campos maduros, falta de investimentos robustos, e desafios tecnológicos elevam a necessidade de estratégias integradas que envolvam governo, setor privado e inovação científica.
O futuro da produção no RN dependerá da capacidade de reverter essa tendência com políticas eficazes, incentivos ao investimento e avanços tecnológicos que permitam revitalizar uma indústria que já foi um dos pilares do crescimento econômico potiguar.
Portal Macauense