
Faltas sucessivas de Flávia Veras à leitura anual expõem fragilidade institucional e desgaste político
A repetida ausência da prefeita Flávia Veras na Câmara Municipal de Macau tem provocado mais do que estranheza — tem levantado sérios questionamentos sobre o papel e a postura do Poder Legislativo diante do Executivo.
Pela terceira vez, a gestora municipal deixou de comparecer à Casa Legislativa para realizar a tradicional leitura anual, momento considerado fundamental para a transparência administrativa e o alinhamento entre os poderes. O compromisso foi previamente agendado em todas as ocasiões, mas, ainda assim, não foi cumprido. O cenário, que já havia se repetido no ano passado, agora se consolida como um padrão preocupante.
O que chama ainda mais atenção, no entanto, é o silêncio da Câmara diante da situação. Um poder que, por definição constitucional, deve atuar de forma independente, fiscalizadora e representativa, parece assistir de forma passiva a um gesto que muitos interpretam como desrespeito institucional.
A ausência reiterada da prefeita não é apenas uma quebra de agenda — é um sinal político. Ignorar a Câmara é, na prática, ignorar os representantes do povo e o próprio espaço democrático de debate. Ainda assim, não se observa, até o momento, uma reação firme por parte dos vereadores no sentido de cobrar explicações formais ou exigir o cumprimento dessa obrigação.
A Câmara tem autonomia para convocar a chefe do Executivo e exigir esclarecimentos. No entanto, a falta de comparecimento repetitivo da gestora só reforça a percepção de fragilidade institucional e levanta dúvidas sobre a real independência entre os poderes no município.
O episódio expõe um cenário preocupante: de um lado, uma gestora que deixa de cumprir compromissos institucionais básicos; do outro, um Legislativo que se mantém inerte diante da situação. O resultado é um enfraquecimento da democracia local, onde o diálogo entre os poderes é substituído pelo silêncio e pela omissão.
Além do impacto institucional, a postura da prefeita também reflete diretamente na sua relação com a população. A ausência recorrente e a falta de justificativas claras contribuem para o desgaste da imagem pública da gestora, alimentando a percepção de distanciamento e desinteresse.
Diante disso, resta à Câmara decidir se continuará assistindo de forma silenciosa ou se assumirá, de fato, o seu papel de guardiã dos interesses da população. Porque, mais do que uma formalidade, o comparecimento à Casa do Povo é um dever — e sua ausência, quando ignorada, se transforma em precedente perigoso para a democracia.
Portal Macauense