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Tentativa de CPI é barrada na Câmara de Macau e levanta questionamentos sobre transparência

Foto: Reprodução

A tentativa do vereador Givagno Patrese de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Macau escancarou um cenário preocupante: a dificuldade de avançar com investigações sobre o uso de recursos públicos no município.

A proposta do parlamentar tinha como foco apurar contratos firmados pela chamada “Empresa Império”, que, segundo dados do Portal da Transparência, já recebeu mais de R$ 10 milhões da Prefeitura de Macau pela prestação de serviços. Apesar da relevância dos valores envolvidos, a iniciativa não conseguiu apoio suficiente dentro da Casa Legislativa. Apenas dois vereadores assinaram o pedido de abertura da CPI, número insuficiente para dar andamento ao processo.

Em tom de crítica, Givagno Patrese expôs a resistência enfrentada entre os colegas. “Protocolei uma CPI para investigar a empresa que presta serviços à Prefeitura. Sabe quantas assinaturas tivemos? Apenas 2”, afirmou. O vereador ainda levantou questionamentos sobre a postura dos demais parlamentares: “Quando falta apoio para investigar, sobra dúvida para a população. Quem não quer investigar, precisa explicar o porquê”.

A situação reforça um debate recorrente em legislativos municipais: até que ponto interesses políticos ou alianças internas acabam se sobrepondo ao dever de fiscalização? A abertura de uma CPI é um dos principais instrumentos de controle do poder público, e sua rejeição, especialmente em casos que envolvem cifras milionárias, tende a gerar desconfiança na população.

Outro ponto que chama atenção é a ausência de justificativas públicas por parte dos vereadores que não apoiaram a iniciativa. Em um cenário onde a transparência é cada vez mais cobrada pela sociedade, o silêncio pode ser interpretado como conivência ou, no mínimo, falta de compromisso com o esclarecimento dos fatos.

Ao final, a tentativa frustrada da CPI não encerra o assunto — pelo contrário, amplia a pressão sobre o Legislativo municipal. Como destacou o próprio vereador: “Nosso compromisso é com a verdade, com a fiscalização e com o dinheiro público sendo respeitado”. Resta saber se esse compromisso será compartilhado pelos demais membros da Casa ou se a investigação ficará, mais uma vez, pelo caminho.

Portal Macauense

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